Pose: não perca seu tempo

Pose, a nova série do FX produzida por Ryan Murphy, tem lá seus pontos positivos. Mas, nem por isso, pode ser isenta de duras críticas.

Com um elenco diverso e fiel ao conteúdo, Pose faz bem no quesito casting. Poucas são as oportunidades para negros em papéis principais, ainda mais para negros transexuais. Nisso, Murphy merece os parabéns.

Por ironia do destino, essa diversidade expõe ainda mais os defeitos do diretor, produtor e roteirista.

Como assim?

Ele é branco (calma que eu vou explicar).

Ryan Murphy já tem dificuldade de desenvolver ou dirigir pessoas interagindo. Em American Horror Story os personagens precisavam de várias frases de efeito para fazer uma conversa interessante, o que não cria um resultado natural. Um tanto Malhação para meu gosto.

No caso de Pose o problema aumenta porque ele está desenvolvendo conteúdo para personagens que fogem da realidade dele: negros e trans pobres.

Assim como escrever sobre o que se sabe é a receita do sucesso, fazer o contrário tem suas dificuldades. Roteiristas tem problemas em inserir pessoas de outros grupos sociais em suas narrativas. Parece bobagem, mas é real.

Personagens negros acabam ficando presos a tramas paralelas até que sua participação seja necessária. Esse é um problema recorrente já que apenas 4.8% dos roteiristas nos EUA são negros.

Em geral, negros, asiáticos e latinos tendem a ficar de lado nas tramas principais porque a sala de roteiristas, quando não é diversificada, não sabe como fazer esses personagens interagirem. É uma mistura de falta de conhecimento sobre a realidade alheia e medo de tocar em algum assunto delicado.

Achou bobagem? Então preste atenção em como os personagens em Pose basicamente fazem monólogos para dizer qualquer coisa. Quando não estão fazendo isso, somente comunicam-se em frases curtas e informativas para situar o telespectador na trama.

Caso conversem e não é nenhum dos casos citados, o diálogo é uma besteira. Conversas que parecem querer convencer o público de que os personagens são puros de coração. Parece coisa do Walcyr Carrasco.

E last but not least, o resultado é uma série chata. Mais de uma hora de episódio tentando impressionar, mas o efeito é o evidente desespero.

Posted by Francisco Almeida

Redator e Consultor de conteúdo freelancer made in Ceará.

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